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Lavagem Nasal de Alto Volume

Lavagem Nasal de Alto Volume 

Dr. Fabrizio Ricci Romano

CRM-SP 90.795 I RQE 61.920 (Otorrinolaringologia)

Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Coordenador de otorrinolaringologia do Hospital Infantil Sabará. Presidente da Academia Brasileira de Rinologia

A lavagem nasal com solução salina já é um procedimento bem estabelecido no tratamento de diversas afecções nasossinusais, como rinite alérgica, infecções das vias aéreas superiores (IVAS), rinossinusite aguda e crônica, pós-operatório de cirurgias nasossinusais, entre outras.¹,²

Apesar de não haver consenso em relação a dosagem, volume, tipo de solução e método de aplicação ideais, acredita-se que, para cada paciente e para cada tipo de indicação, existe uma lavagem ideal, devendo a escolha ser personalizada.³

Sabe-se que o ideal é que a solução salina utilizada tenha um pH neutro ou levemente alcalino. Já em relação à tonicidade, alguns estudos mostram que as soluções hipertônicas podem ter efeito superior no aumento do clearance mucociliar, por outro lado, são mais incômodas ao paciente, e o uso a longo prazo pode causar irritação na mucosa nasal. De maneira geral, as soluções isotônicas são as mais utilizadas.³

Inthavong et al. criaram um modelo computacional para avaliar a penetração nasal e sinusal da lavagem com alto volume com base na tomografia computadorizada de um jovem não operado. A cavidade nasal é completamente irrigada, e o seio maxilar e o seio etmoidal são preenchidos parcialmente (40% e 30%) por transbordamento do líquido da cavidade nasal.4 (Figuras 1 e 2)

Em 2008, Harvey et al. mostraram que a realização de sinusectomias aumenta muito a penetração da solução salina nos seios paranasais, e os métodos de aplicação de alto volume, como as squeeze bottles, garantem a melhor penetração.5

Abadie et al. também realizaram um estudo em cadáveres submetidos a sinusectomias e constataram que os dispositivos de alto volume conseguem penetrar melhor nos seios paranasais e, entre eles, as squeeze bottles foram as que obtiveram os resultados mais consistentes.6

Os estudos com aplicadores de alto volume variam de 50 mL a 240 mL por aplicação, mas foi demonstrado que o volume ideal seria de 100 mL para garantir a penetração da solução salina nos seios paranasais, já que é necessário preencher completamente o “espaço morto” da cavidade nasal antes que o líquido chegue realmente aos seios paranasais.7


 

Outro fator que impacta na chegada da solução salina aos seios paranasais é o tamanho do óstio sinusal no pós-operatório. Para o seio maxilar e o seio esfenoidal, o ideal é que a abertura seja de pelo menos 4,7 mm. Já para o seio frontal, o principal fator que influenciou na penetração sinusal da solução salina foi a posição da cabeça, e o melhor resultado foi obtido com a cabeça inclinada para a frente.8 (Figura 3) Em um interessante estudo usando análise computadorizada de dinâmica de fluidos, Craig et al. demonstraram que, especificamente para o seio esfenoidal, a lavagem realizada com a cabeça inclinada para trás é a mais efetiva.9

Sabe-se também que a administração tópica de medicações nos seios paranasais é atualmente a melhor escolha para o controle de pacientes com rinossinusite crônica. Isso é especialmente verdade quando se fala de corticosteroides (CE) e rinossinusite crônica eosinofílica. É sabido também que a adição de CE na solução salina e a lavagem com alto volume garantem uma chegada mais eficiente da medicação nos seios paranasais do que o uso de sprays.10

Conclusão

A lavagem nasal é efetiva e indicada para diversas doenças e condições nasossinusais, incluindo o pós-operatório. A lavagem com alto volume é a que garante uma

melhor penetração nos seios paranasais, especialmente em pacientes já submetidos a sinusectomias.

Um ponto muito importante em relação ao uso dos devices tipo squeeze bottle é quanto à possível contaminação do device ou da solução utilizada. Especial atenção deve ser dada à água que será utilizada para a recomposição da solução salina e também ao método correto de higienização do device após o uso e o armazenamento adequados.³

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Orlandi RR, Kingdom TT, Hwang PH. International Consensus Statement on Allergy and Rhinology: rhinosinusitis executive summary. Int Forum Allergy Rhinol. 2016;6(suppl 1):S3-21. 2. Fokkens WJ, Lund VJ, Hopkins C, Hellings PW, Kern R, Reitsma S, et al. European Position Paper on Rhinosinusitis and Nasal Polyps 2020. Rhinology. 2020;58(Suppl S29):1-464. 3. Succar EF, Turner JH, Chandra RK. Nasal saline irrigation: a clinical update. Int Forum Allergy Rhinol. 2019;9(S1):S4-S8. 4. Inthavong K, Shang Y, Wong E, Singh N. Characterization of nasal irrigation flow from a squeeze bottle using computational fluid dynamics. Int Forum Allergy Rhinol. 2020;10 (1):29- 40. 5. Harvey RJ, Goddard JC, Wise SK, Schlosser RJ. Effects of endoscopic sinus surgery and delivery device on cadaver sinus irrigation. Otolaryngol Head Neck Surg. 2008;139(1):137-42. 6. Abadie WM, McMains KC, Weitzel EK. Irrigation penetration of nasal delivery systems: A cadaver study. Int Forum Allergy Rhinol. 2011;1(1):46-9. 7. Grayson JW, Harvey RJ. Topical corticosteroid irrigations in chronic rhinosinusitis. Int Forum Allergy Rhinol. 2019;9(S1):S9-S15. 8. Singhal D, Weitzel EK, Lin E, Feldt B, Kriete B, McMains KC, et al. Effect of head position and surgical dissection on sinus irrigant penetration in cadavers. Laryngoscope. 2010;120(12):2528-31. 9. Craig JR, Palmer JN, Zhao K. Computational fluid dynamic modeling of nose-to-ceiling head positioning for sphenoid sinus irrigation. Int Forum Allergy Rhinol. 2017;7(5):474-9. 10. Harvey RJ, Snidvongs K, Kalish LH, Oakley GM, Sacks R. Corticosteroid nasal irrigations are more effective than simple sprays in a randomized double blinded placebo-controlled trial for chronic rhinosinusitis after sinus surgery. Int Forum Allergy Rhinol. 2018;8(4):461-70.

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